terça-feira, 29 de maio de 2012

Memória Descritiva - Proposta 3

"A infografia não é uma linguagem do futuro, é uma linguagem do presente. Tem vindo a ser utilizada desde que há jornais, praticamente. Será uma linguagem jornalística do futuro? Sim, e será muito utilizada, mas isso não quer dizer que não existam outras linguagens jornalísticas que não serão utilizados em igual medida." 
ALBERTO CAIRO, especialista em design e artes visuais


A realização de uma infografia para a unidade curricular de Design de Comunicação Visual foi a terceira e última proposta apresentada aos alunos.
A infografia é uma representação visual de determinada informação. Esses gráficos são usados nos momentos nos quais é necessário explicar a notícia de forma mais dinâmica, como em mapas, jornalismo e manuais técnicos, educativos ou científicos – contribuindo para a melhor compreensão, por parte do leitor, dos assuntos abordados. Este recurso utiliza, diversas vezes, a combinação de fotografia, desenho e texto.
        No design de jornais, por exemplo, o infográfico costuma ser usado para descrever determinado facto ou acontecimento, quais as suas principais consequências, entre outros (dependendo do próprio evento). Este tipo de apresentação gráfica tem a capacidade de conseguir especificar determinadas detalhes que o texto ou a fotografia não conseguem, pelo menos com a mesma eficiência. Segundo Valero Sancho (2001) uma infografia jornalística “é uma unidade informativa realizada com elementos icónicos e tipográficos que permite ou facilita  a compreensão dos acontecimentos, ações ou coisas da atualidade ou alguns dos seus aspetos mais significativos, e acompanha ou substituiu o texto informativo.”

       Na Internet, a produção de infografias pode incluir recursos e, no caso da infografia dinâmica, permitir que o leitor utilize informações disponibilizadas num banco de dados para construir a infografia, a partir de requisitos específicos.
Outra característica específica da infografia é que, normalmente, costuma ser pulicada junto a uma reportagem ou notícia (HIDALGO, 2001; PARRAT, 2008), ainda que nos cibermeios seja cada vez mais comum localizá-la em galerias sem a presença dos textos originais. A infografia feita a partir de meios jornalísticos deve ser concebida de forma a ter uma certa autonomia ao nível do enunciado, não ficando prejudicada caso não esteja acompanhada de um texto explicativo. Os leitores devem perceber o conteúdo da infografia sem necessitarem de recorrer a quaisquer textos de apoio.
Para a construção de uma infografia é necessário cumprir uma série de passos. O primeiro a fazer é, obviamente, a escolha do tema. Depois, perceber que informação se quer transmitir, para que público e de que forma. Após a recolha dos dados é necessário fazer uma organização da informação de forma a melhorar a sua apresentação gráfica.
Posto isto, dá-se início à infografia: faz-se um esboço; para definir claramente aquilo que se pretende comunicar. Depois, constrói-se o suporte digital, tratam-se imagens, textos,… pode-se, ainda, simular o contexto editorial para ver de que forma a infografia iria, ou não, resultar.
Lester, citado em “Elementos do Jornalismo Impresso”, de Jorge Pedro de Sousa, diz que "um bom design é culturalmente independente – o que funciona bem num contexto pode não funcionar noutro" (2005). É certo que uma infografia deve "facilitar a sua leitura", "hierarquizar as informações" e "ter em conta a clareza, legibilidade (…)". Contudo, deve também "conservar o estilo ao longo de um período de tempo" e "fazer o órgão de comunicação atraente e interessante". (CANGA LAREQUI).
Atualmente, em Portugal, são vários os sites noticiosos que utilizam infografias para explicar os mais diversos assuntos da atualidade informativa. Esta é uma tendência que tem vindo a ser desenvolvida no nosso país mas que já é muito utilizada em países como Espanha (“El Mundo”) e Estados Unidos da América (“The New York Times”).
Assim sendo, decidi debruçar-me sobre um tema da atualidade: o desemprego. Comecei por procurar várias notícias sobre o assunto e, de seguida, fiz um esquema com os dados que fui recolhendo. Os números selecionados referem-se ao ano de 2011 e a informação está dividida por regiões.
Selecionados os dados, decidi que o melhor seria fazer uma infografia baseada num mapa. Neste sentido, procurei um mapa de Portugal continental e ilhas com o fim de colocar os dados do desemprego conforme as regiões analisadas. Achei pertinente escolher uma cor – vermelho – e depois ir aumentando ou diminuindo a sua intensidade consoante a taxa de desemprego daquela zona.
Por ser uma infografia informativa, achei que o melhor era escolher uma fonte simples, sem serifa, para fazer com que a visualização dos dados fosse o mais clara, rápida e eficaz possível.
Todo o projeto foi desenvolvido utilizando a ferramenta de trabalho “Adobe Photoshop”, onde foram explorados os vários elementos infográficos característicos deste género de composição, bem como os dados presentes na notícia (que serviu de base para a realização deste trabalho).
Julgo que o resultado final vai de encontro àquilo que foi previamente perspetivado, cumprindo na íntegra os objetivos delineados. A ideia de representar os dados presentes na notícia de forma gráfica foi cumprida, embora com algumas falhas.
A minha abordagem em relação a este trabalho partiu do pressuposto que a parte central seria a informação fornecida pela notícia e que os dados deviam ser apresentados da forma mais simples e clara possível, de modo a facilitar a sua compreensão.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Cairo, Alberto (2008), “Infografía 2.0 – visualización interativa de información en prensa”, Espanha, Edições Alamut.

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